PSICOLOGIA NO CINEMA

Segunda-feira, Janeiro 29, 2007


O TALENTOSO RIPLEY - O RETORNO DO TALENTOSO RIPLEY

Alguns filmes que tratam do tema "doença" mental abordam de forma correta os transtornos emocionais que seus personagens apresentam.

Mas em outros, encontramos situações que vem de contra as teorias psicológicas, e o que é observado nos consultórios de atendimento de psicanalistas, psicólogos e psiquiatras.

O TALENTOSO RIPLEY


No filme "O Talentoso Ripley" (The Talented Mr. Ripley - 1999), o personagem principal, vivido por Matt Damon, apresenta características de personalidade perversa. Neste tipo de personalidade, as pessoas vêm a obter satisfação de maneira diferente da satisfação sexual direta. O personagem deste filme não se envolve de fato com nenhuma pessoa, mesmo vindo a usar de sedução com outros personagens do filme para alcançar seus objetivos. Sua forma de obter prazer é através dos golpes que aplica no filme nas pessoas.

O RETORNO DO TALENTOSO RIPLEY


Mas na continuação deste filme, "O Retorno do Talentoso Ripley" (Ripley's Game - 2003), Ripley, agora mais velho, vivido pelo ator John Malkovich, continua a aplicar golpes em outras pessoas, mas nesta seqüência ele tem relacionamento afetivo com uma companheira, o que iria de contra a primeira parte da história, pois Ripley não tinha relacionamentos afetivos reais.

A estrutura perversa de personalidade foi estudada por Sigmund Freud em algumas partes de sua obra. Sendo de interesse, o internauta pode se aprofundar sobre o assunto lendo o Volume VII da Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (IMAGO EDITORA), onde consta o artigo "Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade". A leitura de Freud para pessoas que se iniciam na psicanálise pode ser densa, mas de qualquer maneira torna-se compreensível se for assimilada aos poucos.


FILMES DE STEVEN SPILBERG

O Cineasta Steven Spilberg contribui com sua vasta filmografia para escrever a história do cinema norte-americano moderno. Filmes como E.T., Guerra dos Mundos, Minority Reporty-A nova lei, são apenas alguns poucos exemplos de seus vários trabalhos de renome.

Gostaria aqui de falar um pouco sobre dois filmes específicos de Spilberg: Encurralado (Duel - 1971) e Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind - 1977).

Se levarmos em conta os aspectos psicológicos dos dois filmes, além, é claro, de suas tramas envolventes, podemos perceber dois tipos de pensamentos com as quais o Cineasta desenvolve estes roteiros com grandiosidade: a paranóia e a idéia obsessiva.


ENCURRALADO


Em Duel - Encurralado, o personagem que dirige seu carro por estradas pouco movimentadas dos Estados Unidos se vê perseguido por um caminhão, aparentemente sem motivo. Spilberg trabalha aí com o sentimento de perseguição, mais precisamente, a PARANÓIA, comum em muitos filmes de ação norte-americanos, fazendo sucesso não só nos Estados Unidos, como nos demais países onde são exibidos. Mas por que este tipo de filme faz tanto sucesso?

Poderíamos pensar no princípio que defendeu o Psicanalista Jacques Lacan, que as crianças pequenas, conforme vão crescendo, são moldadas, configuradas a partir do desejo dos demais, e não de seu próprio desejo, como seria mais simples de imaginar. Quando somos pequenos, nos é dado o nome escolhido por nossos pais, estudamos nos colégios determinados por nossos pais, tios, avós, etc, ficando pré-dispostos a sermos avaliados com conceitos bons ou não por nossos professores.

A idéia que possamos estar sendo observados e sendo moldados pelo desejo do Outro - necessitando da apreciação dos demais - faz parte da mente humana, daí o porquê do sucesso que este tipo de filmes de perseguição faz mundo afora.


CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU


Já Contatos Imediatos do Terceiro Grau aborda outro tipo de assunto: as IDÉIAS E COMPORTAMENTOS OBSESSIVOS. Em Contatos Imediatos ... o personagem de Richard Dreyfuss, após entrar em contato com um grupo de OVNIs, demonstra um pensamento fixo sobre a imagem de uma montanha, a qual nunca havia visto. Esta idéia fixa, no caso deste filme, foi originada pelo contato com as naves espaciais, mas no mundo real este tipo de idéia persistente é geradora de certos comportamentos que muitas vezes não são compreendidos facilmente. Certas idéias, repetidas inúmeras vezes na mente das pessoas sobre um assunto específico, podem provocar alguns comportamentos considerados "estranhos", como por exemplo, verificar portas e fogões inúmeras vezes durante o dia para se ter certeza de que se está seguro.



TERROR E SEXUALIDADE

SEXTA-FEIRA 13


Você já reparou que na série de filmes "Sexta-Feira 13", "A Hora do Pesadelo" etc, os adolescentes são muitas vezes atacados por seres sobrenaturais, no momento que estão tendo relaçäo sexual? Isto poderia ser explicado pelo sentimento de culpa que em certos momentos vêm à mente das pessoas. No caso destes filmes, por supostamente estarem fazendo algo de errado, os adolescentes são punidos por criaturas sobrenaturais nos filmes de terror, no momento de um ato sexual. Este tipo de filme acaba reforçando a idéia de que sexo não seria algo bom de ser realizado, sendo algo proibido, passível de punição ou algo parecido.


"TEMPOS MODERNOS"

Os filmes do cinema norte-americano atual usam como pano de fundo grande quantidade de efeitos especiais digitais. Em vez de utilizarem dos recursos técnicos modernos como coadjuvantes destes filmes, possibilitando melhor ilustrar as estórias levadas às telas, na maioria das vezes os efeitos são utilizados como elementos principais das películas, deixando o conteúdo que deveria realmente ser apresentado, em outro plano.

Ao irmos a uma locadora alugar um filme para o final-de-semana, muitas vezes esquecemos nas prateleiras dos filmes mais antigos, perdendo assim a oportunidade de nos darmos conta de que filmes com menos recursos tecnológicos talvez tenham estórias mais envolventes, mais simples, e quem sabe, com um modo romântico e diferente de perceber a vida, de maior conteúdo.



Filmes de Steven Spilberg, Terror e Sexualidade, "Tempos Modernos", escritos por Márcio Felix, Psicólogo.